O programa do Festival de Jazz de Ponta Delgada 2007 está em andamento. Neste momento existem, entre outras, possíveis presenças, as hipóteses Henri Grimes e Odyssey the Band. Deixo aqui algumas notas escritas pelo amigo Rui Melo sobre estas duas formações. Assim que houver mais nomes, datas e confirmações nós informamos.
 

Henri Grimes é um revolucionário do contrabaixo que se tomou proeminente nos anos 50. No início da década de sessenta tornou-se muito respeitado no movimento free jazz. Entre 1957 e 1967 o músico nascido em Phiiadélfia e educado na Juiliard tocou de forma brilhante em talvez
50 albums; com Albert Ayler, Don Cherry, Benny Goodman, Coleman Hawkins, Roy Haynes, Lee Konitz, Steve Lacy, Charles Mingus, Geny Mulligan, Sunny Murray, Sonny Rollins. Roswell Rudd, Pharoah Sanders. Cecil Taylor. Mas em 1967, Henri Grimes deixou Nova York para São Francisco para trabalhar com Jon Hendricks, Ai Jarreau e Archie Shepp. Em Los Angeles o seu contrabaixo teve que ser reparado. Na altura foi incapaz de pagar o conserto e desapareceu do mundo da música. Seguiu-se três décadas de destituição e só reapareceu em 2003. Hoje, Henri Grimes vive, trabalha e ensina em Nova York, toca extensivamente, com Marshal AlIen, Fred Anderson, Andrew Cvrille, Biil Dixon, Hamid Drake, Joe Lovano, David Murray, William Parker, Marc Ribot. Rosweil Rudd, Cecil Tayior, e muitos mais.

Back in Time
Odyssey the Band/Pi Recordins
A última edição de Odyssey marca o primeiro regresso da banda ao estúdio de gravação desde 1983 quando foi formada para gravar o trabalho genial “Odyssey” na Columbia. o album “Odyssey” é considerado ser uma das melhores edições de Jazz do último quarto do século XX e permanece talvez como o trabalho seminal de Ulmer. Ulmer estava a começar a ser conhecido. Tinha editado o magistral “Tales of Captam Black” e tornou-se populista de “harmolodics”. Harmolodics é uma teoria musical desenvolvida pelo saxophonista Ornette Coleman e está associada com o movimento avant-garde do jazz e do free. Esta teoria procura libertar as composições musicais de qualquer centro tonal. A harmonia e a melodia partilham o mesmo valor. A música deixa de ser condicionada por limitações tonais, ritmos pré- determinados, ou regras harmónicas.
Odyssey é um trio formado pelo violinista Charles Burham e o baterista Warren Benbow que também se juntou para o trabalho de 1988 “Reunion” (Live). Ulmer já tinha editado “Harmolodic Guitar with Strings” e “Music Speaks Louder than Words”, ambos na DIW.
Odyssey toca música harmolodica diatónica, baseada no sistema musical de Ornette Coleman em que a harmonia está livre dos dictâmes da mudança de acordes. A assinatura de Blood usa afinamento em uníssono na guitarra, ou seja todas as cordas afinadas na mesma nota.
O violino de Burham usa distorção e wah e sobressai em paralelo com o som cheio da guitarra de Ulmer. Benbow é o homem “de fora”, a arma secreta da banda. O Trio não tem baixista e Benbow toca “free” atrás do redemoinho das cordas e de insistentes riffs. E uma combinação de elementos que eles já têm “no lugar” quase à 25 anos.
O resultado colectivo é complexo ainda que acessível. De tudo, “Back in Time”, é um retorno marcante para uma banda muito boa.

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